Quando saímos do Brasil, os meninos, Eduardo (14 anos) e Arthur (5 anos) não tinham nenhum conhecimento com a língua. A gente preferiu não colocá-los em uma escola de francês ... a pressão, angústia, as mudanças já estavam acontecendo com toda essa "confusão" que o processo de imigração já estava fazendo na cabeça deles. Então, decidimos que o francês deveria entrar de uma forma mais tranquila e prazerosa. Colocávamos músicas, assistíamos filmes... Assim o francês entrava um pouco na vida deles sem essa agonia que era pra gente rssrsrsr. então eles saíram com zero de francês do Brasil...
Duduzinho ja tinha feito curso de inglês mais novo, então o básico ele sabia, já Arthur, mal falava o português rsrssr...
Duduzinho com os colegas do futebol |
Logo quando chegamos ele entrou na escola, primeiro dia de aula, zero de francês, com o básico de inglês ... ohhh gente, tchadinho de meu filho viu? Vc via o medo na cara dele, mas mesmo assim ele enfrentou ... Demorou um pouco pra ter coragem de entrar na sala, a moça que foi receber ele, super simpática e compreensiva, deu o tempo dele até que ele tivesse coragem de entrar na sala, e assim ele fez, depois de uns 30 minutos do lado de fora levantou e disse: vou entrar.... ohh Deussssssss... O pai quase tendo uma parada do lado de fora hahahah. Ele entrou na classe de accueil primeiro, que é tipo uma classe de adaptação, antes de colocarem ele direto na turma regular. Nessa classe, ele aprende o francês, junto com outros meninos na mesma situação dele... Pois então, ele chegou em casa outro menino, foi no outro dia super confiante, e depois de 2 semanas já colocaram ele na turma regular, pq ele conseguiu pegar o frances rapidamente e ja estava se comunicando sem problemas.... Acredito que pq ele se sentiu acolhido, confortável, as pessoas na escola receberam ele muito bem, desde as professoras como os colegas....
Arthur, nós colocamos na Garderie, não gostamos muito da primeira e graças a Deus conseguimos encontrar rapidamente outra por um preço de 7 dólares o dia. Era uma senhora e um senhor, meio familiar mesmo. Essa senhora foi muito importante para a adaptação de Arthur, pois ele não entendia absolutamente NADA de francês e nem inglês e ela teve muita paciência com ele ... fazia mímicas e o bom era que tinha uma criança surda com eles onde ela ensinava os sinas pra Arthur, e foi o que ajudou muito, ela pediu que eu escrevesse algumas frases em português com a tradução em francês pra que ela pudesse entender o que Arthur falava, me pediu um dicionário em português/francês.. Ela em uma semana ensinou maravilhas a Arthur ... em 2 semanas Arthur ja entendia francês e ja conseguia se comunicar em francês também.. Fora a paciência e o carinho que ela tinha com ele... Isso foi muito importante pra essa adaptação dele.
Hoje os meninos não tem nenhuma dificuldade com o francês. Duduzinho ja sai com os amigos aqui, se vira, escreve, fala no telefone... Arthur, se vira na escola tbm, entende a professora os coleguinhas, fala com a professora, não tem problema nenhum. Logo quando ele saiu da garderie e foi pra escola, ele não precisou ser colocado em uma classe de accueil graças a Pierret, a senhorainha da garderie que teve o maior cuidado e carinho em ensinar o francês a ele.
Eu e Eduardo começamos a aprender o francês logo quando decidimos imigrar pela primeira vez em 2007. Encontramos um professor Quebecois que estava morando em Salvador e que dava aula particular. Ele dava aula em uma escola em Salvador e fomos as primeiras cobaias para sua aula particular... foi ai que conhecemos a língua e aprendemos a gostar desta bendita hahahaha. Ele foi muito importante nesse nosso primeiro contantato com o francês, ele foi adaptando o ensino às nossas dificuldades e necessidades. Fizemos quase 2 meses de francês com Bruno ... era 1hora e meia por Sábado.. Então ele voltou para o Québec heheeheh e perdemos o nosso Perfeito professor ...
Até hoje somos amigos e ele é uma cara fenomenal... um ótimo professor mesmo, um amigo... as aulas dele eram super divertidas, ríamos muito, aprendíamos com prazer... Então esse primeiro contato foi fundamental pra que a gente gostasse de começar a aprender o francês... Mas as aulas foram poucas, fomos então para a universidade federal da Bahia, lá eles tinham um programa de aulas de francês, mas o professor era de Salvador, e ele ensinava frances da frança... unfff um saco as aulas, muito chatas, fora que a turma era muito grande e em quase 4 meses de aula eu aprendi o mínimo possível, acho que até o que Bruno ensinou em quase 2 meses foi maior do que o que aprendemos na Federal... Então muitas coisas aconteceram e desistimos de imigrar... buaaaaaaaa rsrsrsrsrs. Francês se foi pelo ralo... o pouco que sabia se perdeu, então em 2011 retomamos os nossos planos, pois o Canadá nunca saiu de nossas vidas eheheh Graças a Deus meu pai... hohohoh... e voltamos a estudar o Francês, praticamente do zero mesmo, fizemos algumas aulas via skype com a professora Glória que é um ser humano maravilhoso, pense em uma pessoa boa??? é ela, nos ajudou profissionalmente e psicologicamente rssrsr, as aulas dela foram fantásticas, ficamos uns 3 meses em aulas de 1 hora 2 vezes por semana. Depois encontramos um curso em Salvador de uma Quebecoise o CLIC, fiz 6 meses com LISE, outra Quebeca maravilhosa, uma mulher retada, ela que me fez novamente amar o francês, ela além de professora é amiga, te ajuda em tudo em relação ao processo.. então fizemos o TCFQ ,eu e Eduardo... Verde, verde ainda, eram 2 dias na semana e 1 hora de aula... Mas mesmo assim fizemos, tiramos A2 em conversação e B1 em compreesão... Então o processo começou a dar um monte de pipino, mudança pra dedel... pelamordedeusssss, foi greve de consulado, mudança pro México, perderam nosso TCFQ, foi um Deus nos acuda... E quem era doido nesse tempo de estudar francês?? que cabeça??? nádegas... era angustia, nevoso, alegria, era uma mistura maluca todos os dias, isso não é de Deus não viu minha gente hahahahah....
Então chegamos no Québec com um francês quase básico, quase nada, pq o que a gente aprendeu já estava no baú ha muito tempo.. Chegamos e resolvemos fazer o francês na Universidade Laval, optamos por não fazer na francisacão.. A francisação era quase o dia todo e na Laval pelo menos era pela manha e tínhamos a tarde livre... Maldita horaaaaaa hahahaha, pensem em um curso puxado?? e pra quem nao tinha uma base boa ainda como a gente foi um Deus nos acudaaaaa... mas mesmo assim a gente foi metendo a cara, se acabando nesse infernoooooo hahahahaha... fizemos 2 sessões , inverno, e verão. Foi muitooooo puxado mesmo, e acredito que se a gente tivesse tido uma base melhor a gente teria absorvido melhor.. gramática é muito puxada, fora as redações que a gente tinha que fazer... minha gente isso não era de Deus não... Mas me ajudou muito a desenvolver esse maldito francês... o ouvido ficou ótimo, a gente conseguia entender muita coisa já, a escrita estava melhorando pq existe regra e excessões pra milhares de coisas nessa maldita gramática haahahah, Quando vc acha que sabe lá vem a zorra com 347454 excessões, afff. Mas a fala... ummmm ai puxava pra mim, tinha medo de abrir a boca, era uma angustia, um nervoso, fazia de tudo pra não falar... Tinha medo mesmo... tinha dia que conseguia, tinha outro que não, e esse "puxa incói"era um saco, pq um dia vc tinha coragem, outro não, afff...
Então acaba a Laval, e começa a Cegep, minha filha agora ou vc fala ou se lasca hahahaha... então o sotaque, a forma de falar era diferente no Cégep... Pq na Laval eles sabem que são estudantes extrangeiros que estão aprendendo a língua, então o vocabulário é cuidadoso.. Já no Cégep... Oh meu pai, só Jesus pra salvar viu? ahahahah. Vamos lá a mais um medo, nervoso, angústia... Preciso tomar coragem e abrir mais a boca, errar mesmo, falar besteira.. Então vou toda confiante em meter a cara mesmo... Eis que surge uma veia doida na minha vida... a primeira professora lá no Cégep.. no segundo dia de aula, chego mais cedo e ela estava lá, sentadinha na sala... Ai começa a falar comigo, as únicas coisas que entendi foram: Se vc não souber falar francês, não entender seus pacientes vc não vai conseguir ser uma boa enfermeira, vc precisa falar bem o francês, escrever bem o francês, vc escreve o tempo todo no hospital, vc dá ensinamentos o tempo todo, VC PRECISA FALAR FRANCÊSSSSS... Ahhhh miserávi, quase que eu grito: cale-se,cale-se, vc me deixa loucaaaaaaa.. pronto agora já era.. travei, não saia mais nada, nao tinha coragem de abrir minha boca, e foi assim o tempo todo no cegep, ela ficava na minha cabeça o tempo todo que eu abria a boca pra falar alguma coisa, ahahahahah miseravi...
Alguns vídeos que fizemos esses dias...